sexta-feira, 26 de março de 2010

Na correria da cidade néon me perco seguindo os vaga lumes
As luzes cintilavam, num brilho módico que tornava tudo infantil
O glitter vivaz me mostrava um caminho diferente
A hora tão esperada do dia chegava, aquela em que volto aos seus sonhos...
Te acompanhei na nossa escada do crescimento
Porém não consigo imaginar como são diferentes os degraus que pulamos juntos
Se não fosse o abismo alado, talvez estivessemos de mãos dadas como quadrilha
Mas não foi assim que sucederam os fatos...
Precisava eu, mulher semi-pronta, com os pés na mesma sina de todas do meu sexo...
O elevador abriu, segui mecânicamente até a porta do 704
A chave parecia conhecer a fechadura
Te vi soltar aquela caixa de papelão no chão ao me ver
Sei que também sentiu a corrente que passou por entre as minhas pernas
Um mero "oi" dizia tantas coisas que acabou sendo o bastante
Sorrisos incautos completavam os sinais de pontuação que se perderam no caminho
Não soube explicar o que aconteceu
Não soube dizer como aconteceu
Só sei que me tornei prisioneira do mesmo prazer todas as noites
Desse amor de clausura, segredo e infância
Até hoje não sei pq nunca nós falamos direito antes
Nem pq nunca reparei nos seus olhos de cobalto
Mas apartir daquela noite, no corredor do 7 andar do prédio Veneza...
Eu fui sua e você passou a ser meu.

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