sexta-feira, 11 de junho de 2010

Na manhã seguinte ele estava indo trabalhar, e com um beijo na testa disse:

- Nos vemos a noite.

Uma nuvem pairava pelos olhos dele, uma nuvem de dúvida, de tristeza e cansaço.
Um nuvem carregada, que não me permitiu dizer nada. Ele devia saber...

E foi assim que eu fiz as malas e parti.
A vida de atriz tem dessas coisas... pé na estrada.
Eu finalmente havia conseguido o papel.

De malas prontas eu fui para o aeroporto.
Agora eu não seria mais a única solitária a encarar o sol.
O sol já raiava quando entrei no prédio
As minhas pernas pareciam não querer me obedecer
Os degraus da subida pareciam alternar entre altos e baixos
Graças a Deus pelo corrimão, Santo corrimão!
As luzes brilhavam e ofuscavam a minha visão...
Não sei porque, mas aquele parecia o momento perfeito!
O relógio marcava 4:07 e só poderia ser um sinal.
Segui trôpega até o elevador, 7º andar.
Sinatra gracejava ao traduzir o difícil caminho até o apartamento dele
Batidas na porta pareciam dramáticas demais... Mas quem disse que um drama não é o que precisamos?

- Abre, sou eu. E você vai me explicar o que está acontecendo! Eu preciso saber.

Deixei o meu corpo cair na porta, ele devia estar dormindo, mas a porta se abriu.
Meu corpo caiu dentro do apartamento sem um convite formal e ele cuidou de mim.

Lembro da voz dele... Pena que o sono me impediu de ouvi-lá.
Adormeci nos braços dele, ao som do Sinatra, que continuava a embalar meus delírios.